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O conceito de amor próprio está amplamente divulgado e até, saturado, mas muitas vezes é compreendido de forma superficial ou incorreta.
Existe a tendência para associá-lo apenas a práticas externas ou a afirmações positivas, sem considerar o trabalho interno necessário para que esta energia se torne efetiva e estável, duradoura.
Um dos erros mais comuns na vida da grande maioria das pessoas é procurar sentir valor pessoal através da aprovação dos outros, resultados ou reconhecimento. O amor próprio não depende de fatores externos e, quando sem conhecimento de causa, isso acontece, essa sensação de amor por ti mesma torna-se instável e vulnerável às circunstâncias. Então, a verdadeira ativação implica desenvolver uma referência interna consistente.
Amares-te não significa apenas cultivar pensamentos positivos ou momentos de autocuidado. Ativar e manter o amor próprio como frequência interna constante, exige reconhecer os teus padrões de dor, rejeição, abandono ou desvalorização. Ignorar estas dimensões impede a construção de uma base interna sólida e mantém mecanismos de autoproteção ativos. Então, não evites a tua sombra, ela faz parte e mostra-te muitas vezes o que verdadeiramente pesa na tua desconexão e ausência de amor próprio.
O desenvolvimento interno envolve, quase sempre, decisões difíceis, estabelecimento de limites e mudança de comportamentos habituais. Só o facto de teres de sair da tua zona de conforto, conhecida até aqui, já por si só representa um passo grotesco na tua evolução e, por conseguinte, um simultâneo desconforto! O erro surge quando associas amor próprio apenas a um bem-estar imediato, que evita processos exigentes de responsabilização, consciencialização e maturidade emocional.
Dificuldade em receber, medo de falhar, procrastinação ou permanência em contextos pouco nutritivos podem indicar desalinhamento com o teu próprio valor. Estes padrões tendem a persistir enquanto não existe consciência sobre a sua origem e função. A autossabotagem é um mecanismo de defesa muito comum quando não existe amor próprio. Conhecer a origem dos teus bloqueios é um passo para te conheceres tão a fundo, que te seja impossível não reconheceres gatilhos ativadores de comportamentos sabotadores...
Desejar sentir amor-próprio sem alterar as tuas escolhas, com ações concretas no dia-a-dia limita a integração desta frequência. A ativação real do amor próprio manifesta-se através de comportamentos consistentes e, na sua grande maioria, inicia-te com coisas muito simples que marcam grandes passos na tua evolução: cuidar dos próprios limites (incluindo os que estabeleces para ti mesma, obrigando-te a aceitares que, por exemplo, descansar é seguro), respeitar necessidades internas primordiais (sem culpa) e tomar decisões alinhadas com a própria verdade.